sábado, 19 de maio de 2012

Os rumos do jornalismo

Por Wellington Soares

Mídias sociais, web dois-ponto-zero, interatividade, transmídia, buzz, o que todas essas palavras têm a ver com jornalismo? Há quem diga que elas representam o futuro e, de certa forma, o presente da profissão. Já outros defendem que elas são as pás de terra que faltavam para o sepultamento total do jornalismo.

Os defensores da continuidade da prática jornalística acreditam que essas ferramentas podem ser incorporadas ao que já se faz hoje, fazendo que ela se reinvente. É difícil ter fé nisso. Existe um delay muito grande entre o surgimento de novas mídias – que rapidamente são incorporadas pelo público – e a adaptação do jornalismo a elas.

O twitter é um bom exemplo disso. Durante o crescimento da rede, muitas empresas informativas não sabiam muito bem como lidar com ela. Grandes jornais criaram diversos perfim – um para cada editoria – que acabaram sendo abandonados no decorrer da ação. Além disso, os veículos não se preocupavam em interagir com os seus leitores e utilizavam a rede social como um sinal de alerta, para chamar a atenção dos leitores cada vez que uma nova notícia fosse publicada em seu portal. Essas estratégias, é claro, não funcionaram. Quando essas empresas passaram a abraçar a causa da interatividade, já era tarde demais: o público havia migrado definitivamente para o Facebook.

Em entrevista recente que eu realizei com a jornalista Rosana Hermann, grande entusiasta das redes sociais, ela tenta explicar as trapalhadas da imprensa tradicional: “Os profissionais da mídia tradicional não conhecem a dinâmica das redes. Eles não têm experiência nessa área, por isso temem as redes sociais e relutam em interagir. Alguns, na tentativa de criar 'interação', apropriam-se apenas dos conteúdos da rede para exibi-los na TV. Isso mostra a falta de compreensão da Internet. Mas, aos poucos, as redes vão se interpenetrando.”

Já os entusiastas da morte do jornalismo, apesar de um pouco exagerados, têm sua dose de razão. Essas mesmas redes sociais – ou mídias sociais – inverteram a lógica da comunicação: os chamados “receptores”, antigamente passivos, passaram a produzir conteúdo e publicá-lo. As fontes do antigo jornalismo passaram a controlar seus próprios veículos (blogs, vlogs, perfis nas redes), e a grande imprensa se tranformou em um intermediário desnecessário. Com sua função original comprometida, jornais e revistas informativas terão que buscar outras alternativas para sobreviver.

Prever o futuro é impossível. Pode ser que todas as minhas afirmações feitas aqui não façam o mínimo sentido e a o jornalismo encontre um caminho possível de seguir. Se a grande imprensa não conseguir se salva, vamos torcer para que nós, jornalistas, consigamos.

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