No Brasil, o crescente avanço dos meios digitais é tomado, por algumas instituições, como duvidoso. A possibilidade de uso de novas tecnologias tem consequências tanto na mentalidade da população, como no mercado. O maior exemplo disso foi o grande impacto econômico que a adesão massiva aos meio digitais criou no início dos anos 2000. A partir de uma onda de criação de webempresas que acabaram não cumprindo com suas expectativas de lucro, e com o consequente corte de capital por parte dos investidores nessas instituições incipientes, houve o chamado estouro da “bolha da internet”. Muitas empresas entraram em processo de venda, redução ou simplesmente quebraram. O ocorrido contribuiu para uma primeira impressão pouco positiva das empresas em relação à aproximação de seus negócios com a internet.
Essa resistência foi, entretanto, superada rápida e continuamente. As facilidades técnicas trazidas por esse instrumento digital são cada vez mais inquestionáveis, o que acaba influenciando as estruturas sociais, econômicas, de trabalho, e até mesmo éticas da contemporaneidade.
No Jornalismo, especificamente, esse temor foi fortalecido pelo mito do “fim dos impressos”, ou seja, os donos de empresas informativas tradicionais viam na internet uma possível ameaça ao seu predomínio. Essa possibilidade se tornou cada vez mais consistente ao passo que a mesma informação podia ser transmitida por uma nova mídia, com um outro formato. Durante a última década, o chamado “texto online” passou a ganhar um público cada vez mais fiel e características cada vez mais próprias.
Atualmente, é possível pensar jornalismo de uma forma muito mais interativa, mais distante do modelo tradicional de emissor e receptor da teoria da comunicação. Jornalismo hoje pode também ser uma via de mão dupla, mesmo que ainda haja um pensamento mais disseminado de que essencialmente o repórter é apenas aquele que vai às ruas, colhe o máximo de informações possíveis para escrever a matéria e da redação faz um texto jornalístico que vai para o jornal impresso ou até para a internet. As novidades em relação a essa área permanecem nas especulações. Há muita coisa já sendo feita, porém há também bastante resistência.
O que parece levar naturalmente a veiculação de informações e notícias para esse caminho mais inovador é a geração Y, pessoas nascidas em meados de 1970, início dos anos 1980, praticamente junto ao aparecimento e desenvolvimento do computador. Hoje fala-se até em geração Z, que vem ainda depois. O fato de nascer numa sociedade em que o computador já está de alguma forma estabelecido (talvez não aceito totalmente a princípio, mas mesmo assim já conquistando seu espaço) facilita muito a percepção do mundo vinculada a essa tecnologia. Por isso, há maior facilidade em lidar com novas ferramentas e formatos tecnológicos, e também em aceitá-los e admiti-los. Existem diversos exemplos de sites e portais criados e administrados por jornalistas na faixa dos 30 anos que apresentam conceitos diferentes do que é o fazer jornalismo. A ONG Repórter Brasil, por exemplo, acompanha questões relacionadas ao trabalho escravo, além de buscar a erradicação disso, e usa o site como divulgação das atividades realizadas nesse intuito. O site é mais nitidamente relacionado a jornalismo, pois não foge tanto do usual praticado na área. Entretanto, quem garante que um mapa de cultura que mostre os espaços e os produtores de cultura de uma cidade -- com informações não somente de serviços, mas também de quem produz aquela determinada arte -- não é jornalismo?
A questão, nos dias atuais, é repensar a função do jornalismo e a forma de fazer. Será que só é possível realizá-lo pelo modo tradicional conhecido por todos? Em que a internet pode ajudar? De que maneira ela pode contribuir?
Há diversos modelos que não seguem o padrão de jornalismo aprendido na graduação e visto na grande imprensa diariamente que se espalha pela internet. E nem por isso, são textos e produções não apurados, muito pelo contrário. Exemplos disso são os sites:
É preciso menos resistência e mais aproveitamento. O jornalismo também precisa se reinventar.
Por Érika Yukari e Tainá Shimoda
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